Thursday, December 13, 2007

Noite Eterna, À Dentro!

Você sabe por que a noite esta tão calada ?
Você poderia olhar para mim um pouco
E sentir o seu vazio se preechendo um pouco
E isso poderia ser real ou apenas um mera ilusão
Daquelas que acaba junto com a noite fria
Eu tenho um dia duro pela frente
Como em todos os dias, como todas as pessoas!
Mas eu nunca sei ao certo o que me espera
na próxima esquina.
E eu tenho medo de tentar novamente
De voltar e não mais encontrar o que restou.
Você poderia ficar feliz só esta noite
Sem exigências, sem palavras, só reticências...
Uma doce lembrança, uma saudade apenas
no peito de quem já não suporta mais tanta dor!!!

Saturday, October 20, 2007

NOITE VAZIA

(João Paulo Roque)


Eu caminho pela sala vazia
E o que vejo são figuras disformes
A lembrança de um som vem à minha mente
À essa hora estou descontente com meu dia
Penso em tudo que não consegui ser hoje
E vejo com grande tristeza o que me espera amanhã
O amanhã é sempre tão certo como uma chuva de verão.
Agora me vem uma imagem e eu não consigo dormir
Ligo o computador e começo então a escrever
Ligo o som e escuto C. BERRY & L. RICHARD.
São 2:00 da manhã e agora um forte aroma
Invade meus pensamentos.
Estou imerso em inúmeras sensações desconhecidas
Agora escuto R.E.M. e me sinto como na música:
“Perdendo a minha religião”.
Eu sei que busco alguma coisa
Mas não sei se consigo encontrar
Ou se consigo saber a que ponto quero chegar.
Desligo o som e vejo minha mente apagar-se,
Suave-mente-suave!.

Monday, October 01, 2007

"Isso é só para loucos, caretas não..."

Acordar e não mais durmir. Sonhar a vida e não o instante de ser. Vou passando. Colhendo mágoas no quintal. Sim, vejo as crianças. Elas estão bem, dizem as mães. Plantadas nas calçadas, elas estão "bem, também!", dizem as mães. Meu olhar hoje acordou mais cedo. E eu nunca antes vira coisa igual. Cenas de uma paisagem. Escura. Estranha. "Natural" dizem as mães. Falo com um soluço no meu peito e aos poucos me disperso. Soa um tanto triste esse meu olhar. É que eu vagava pela noite a sonhar, e nem imaginava que pudesse um dia acordar e ver o mundo tão perto de você. E você nem se quer me viu, nem me olhou, nem piscou o olho. É, você me decepcionou. Mas nesta calçada o convite é sempre igual. Espere, veja mais um pouco. Venha ver o sol nascer. Ele levará embora todas nossas esperas desta noite sombria e triste.

Tuesday, September 25, 2007

Deserto-Me'urbano

(João Paulo Roque)

Derepente a noite chega. O sereno entorpece meu cansaço. Eu sigo tentando entender o que se passa. Somente um olhar é capaz de me dizer o que há. Uma sófrega solidão nos teus olhos de menino. Mas e o deserto da rua não acalma esta tua imensidão vazia, urbana.? É talvez porque chegou mais cedo o inverno na capital. Os lares se agitam. Os avós lançam seus olhares esperanços para o passado sertão. Tão presente, quanto distante... tão seco, tão real essa nostalgia de um deserto-urbano-sertão que não cabe memórias retiscentes de um desejo assim, tão sereno. Ah, e a chuva! e a chuva! Vem trazendo Águas renovadas. Águas remotas. Águas saudades. Águas presentes. E essa sede que não passa! Quanto mais inverno, mais sede. E esses teus olhos tão úmidos de tristeza? Por que não recomeçar? botar o pé na estrada. Seguir alguma estrela mesmo que isso te leve a nada. Se o poeta já dizia: "há metafísica demais em não pensar em nada" que mal há num caminho que não te leve a nada. Provarás da mesma poética metafísica.

Monday, September 03, 2007

CRÔNICA DO PICI

(João Paulo Roque)

Existem muitas histórias de onde eu venho. Um lugar chamado Pici. Fica logo ali, na ribanceira da cidade. Lá existe de um tudo que você possa imaginar, das tradicionais “lavadeiras da beira da cacimba”, a grandes fábricas poluidoras de riacho: destruidoras de rios e de lavadeiras.

Os campos de futebol, outrora, já foram campos de guerra e campos de desova. Hoje são Planaltos. Lá jazem corpos mortos pelas polícias sob valas de sangue e barro. O mesmo barro que ergueu casas para seus inúmeros habitantes acolheu o sangue e o suor de tanta gente jogada a própria sorte.

O olhar da menina pestanejava sobre os umbrais. O mesmo olhar corroído pela dor da fome, do olhar do americano, do sexo insano, da mãe desesperada, do irmão com a mesma fome. Páira sob a paisagem um velho olhar.

Todos esse lugares existem por aí, “no por aí do Pici”. É assim que a gente se vê: todo dia tem noticia na TV: “mataram mais um” é só por dizer. Mas é no meio desse lugar brutalmente sensível que brotam “cantigas matinais”, poesias à revelia do tempo e das paixões. Ecoam as loas dos maracatus: um banquete de vida! Rasga a mortalha do cotidiano e se anuncia, presentifica: vamos as ruas com tambores e fitas. “Quem vai jogar, quem vai jogar?”

Tuesday, August 14, 2007

POEMA PASSADO DO TEMPO


(Ayallo)

Passos ousados
São sonhos queridos
Nunca esquecidos,
Sempre lembrados

Caminhos precisos
São sempre precisos
Por sua natureza
precisamente, imprecisa.

Sons arquejados
São motes inteiros
De poemas ligeiros
De poetas largados.

São pobres palavras
Que aqui encontram
Passagem de ida...

Thursday, August 09, 2007

Um lugar de flor assim


(Ayalo)

Catas miragens em teu jardim
Esconde-te novamente que já vi
A tua aurora brincando de correr
Na fileiras de um sonho se fim
Nuvens corredeiras passeam
Nesse céu de crepúsculo,
Um céu mutante, crescente
Onde somente amantes vagueam
À porta do jardim, estás tão só,
Um rosto sombrio, escuro
Me invande o céu...
E viu-se flores mortas no jardim

Sunday, May 13, 2007

A garota que passa

Toda noite quando ela passava ele tocava "garota de ipanema" no seu violão. Havia uma misteriosa sintonia em ambos os olhares. Cada noite, era sempre como se fosse a primeira vez. Às vezes dava até para se perguntar se ela passava quando ele tocava, ou, se ele tocava quando ela passava. Uma estranha energia conectava-os. Para ela era só passar por ali. Para ele era só tocar aquela música. E para ambos, era só ver um ao outro novamente, que a sombra do desejo acordava de repente. Uma ponta de admiração ocorria nessa hora. Era como um relâmpago, ou como uma estrela cadente, que só mesmo os verdadeiros admiradores de céu e estrelas conseguem captar. "Ah, por que estou tão sozinho Ah, por que tudo é tão triste? Ah, a beleza que existe, A beleza que não é só minha, Que também passa sozinha. Ah, se ela soubesse Que, quando ela passa, O mundo sorrindo se enche de graça E fica mais lindo...".

Tuesday, May 08, 2007

Tem coisas que a gente aprende rápido

Tem coisas que a gente aprende rápido, como os jogos de infância. Outras a gente esquece, e se perde na lembrança como o primeiro beijo, ou ainda, aquele encontro escondidinho, mas tão cheio de aventura e desejo. Por que temos a tendência de "chatificar" a vida? Acho que tudo poderia ser bem mais simples e que a vida e o amor poderia muito bem ser uma aventura breve e deliciosa, como um banho de chuva numa noite de verão.
(Ayalo)

Wednesday, May 02, 2007

Hoje

Quando sentei em frente ao computador para escrever este texto, eu tinha exatamente 5 minutos para fazê-lo. Restava-me também pouquíssima certeza sobre o que dizer. Bem mas eu senti que precisava escrever algo. Foi então que resolvi. Hoje não foi um dia bom. Mas também não fiquei tão chateado como antes. Parece que o mundo tá mesmo virando de cabeça pra baixo. Ou sou eu? Talvez precise mudar meu ponto de vista. O fato é que a vista desse ponto ainda é muito obscura.

Tuesday, April 17, 2007

Eita, canseira!!!

Estou cansado da gramática
da regra, norma monostática
Dessa invenção invisíveldo
possível e do impossível!
(ayallo)

Wednesday, March 28, 2007

Um Poeminha-meu

(Ayalo)

Queria como Millor
Escrever um "poemeu"
Que falasse assim
De coisas serenas
Nas linhas, desejo!
Três palavras apenas,
Mas que pena
Penso, não deu!
Só tenho poeminha
Invés de poemeu
Então vou chamá-lo
De um poeminha-meu

Tuesday, March 13, 2007

cotidiano

É forçoso perceber o cotidiano. Muitos de nós (seres humanos) se sentem incomodados quando precisam superar essa muralha da vida. É que enquanto algumas pessoas o pensam como algo estátitco enfadonho e imutável, o cotidiano se mostra justamente ao contrário, um movimento tão incapiturável quanto o movimento rápido dos olhos. Agora, Plageando Kalil Gibran, aprendamos a amar o cotidiano (kalil, diria as tempestades) ao invés de fugir dele.

Tuesday, January 09, 2007

sufixamente ia se mente

Lentamente
tudo movia-se
Rapidamente
esquecia-se
Curiosamente
nada aprecia-se
Vertiginosamente
logo escondia-se
Pavorosamente
aplaudia-se
esclerosadamente
nada via-se

Monday, January 08, 2007

Novo poema indesejado

(ayallo)

À noite, anda só!
Vai a qualquer lugar
Na esquina só
Poeira da estrada.

Volta de manhã
Quando o galo
Para sua canção
De acordar

Fala ao velho
Pede benção
Saí pelo portão
- Até amanhã!

E se eu não voltar
Mandem buscar-me
E, junto, tragam
Meu coração.