Tuesday, August 24, 2010

Noite, Oriente Novo!

(João Paulo Roque)

A praça estava só! Aliás, estávamos a sós, ali na praça, a noite escura e mais eu. A noite de Novo Oriente era fria e dava para ver que havia pouco parou de chover. A pousada estava lotada. Bati aqui e acolá atrás de um lugar para ficar. Fiquei na Praça. Caminhei em direção ao banco ainda úmido da chuva que passara por ali. Fiquei pensando no que fazer. Levantei e andei novamente pra lá, pra cá. E voltei ao banco meio molhado em que eu estava. Quando dei por mim estava envolto numa tenra solidão durante aquelas poucas horas que antecediam o nascer do sol. Aquelas duas últimas horas no escuro da noite me deram a angustiante sensação de cem anos de solidão. Talvez por isso mesmo eu saquei o livro de Garcia Marques, que há tempos estava ali, esquecido pelo meu apego aos afazeres cotidianos e imediatos da vida. O silêncio daquela noite trouxe consigo suas melodias, seus versos e cantares. Sons de pássaros, grilos, gritos de esperanças, e tantos outros gritos e cantares ecoavam no silêncio negro da praça. Foi ai que de repente ficou em mim um oriente novo, um novo oriente sem fim.

Saturday, July 10, 2010

divagações

Às vezes, sem mais nem menos, nem mesmo percebemos, quão veloz é o trem da história. Em matéria de segundos perdemos uma vida inteira. Ultimamente tenho pensado basante em coisas muito simples, mas que andam distante de mim. Sinto falta de muitas coisas e pessoas que antes eram presentes em minha vida. Aquelas coversas na calçada, as nossas saídas "sem lenço e sem documento", as nossas descobertas, desilusões, as coisas que iamos significando a cada dia em nossas vidas. As canções da minha juventude. Sinto falta de alguns amigos e amigas com quem conversar coisas da vida mesmo, sem compromisso, sem hora pra começar nem pra terminar. Não gostei dessa vida assim cheia de dispositivos de controle e regulação, relações que nos distanciam cada vez mais. Eu nem sei direito como falar dessas coisas, só sei que isso me incomoda muito. Compreendo hoje que muitas coisas não saíram como eu queria, e, eu, que pensava ser dono do meu destino.

Tuesday, February 16, 2010

O novo sol de cada dia

Sempre lembro-me de músicas quando ando pelas cidades por onde eu vou. Não só nas cidades mas nos becos, nas ruas, nas vilas. Cada conversa de calçada, no pé do portão. Um amigo, um abraço. A gente recordando situações e idéias que conhecemos nas canções. Sempre quis escrever sobre isso, mas nunca consegui começar. Ainda agora estou meio sem jeito de continuar. Mas lembro-me todo de uma frase de uma canção que diz assim: "todo dia, o sol da manhã vem e nos desafia / trás do sonho pro mundo quem já não queria". É da canção "ALAGADOS" dos Paralamas do Sucessos. Então fico pensando quantas vezes não sou arrastado por esses desafios de cada dia. Aqui soma-se com a idéia de Cazuza: "O tempo não pára". Quantas vezes já quisemos parar o tempo, pra ver se dar tempo pensar no que fazer com o pouco de tempo que temos. Como é difícil vencer os desafio do novo sol de cada dia. Amigar-se com o tempo e dele gozar bons momentos. É o nosso desafio de cada dia.

Pois é.

Tudo...Nada...
Tudo bem... Tudo mal.
Nada de mais... Tudo outra vez.
Eu não sei quanto a vocês
Mas eu estou passando mal.