Tuesday, September 25, 2007

Deserto-Me'urbano

(João Paulo Roque)

Derepente a noite chega. O sereno entorpece meu cansaço. Eu sigo tentando entender o que se passa. Somente um olhar é capaz de me dizer o que há. Uma sófrega solidão nos teus olhos de menino. Mas e o deserto da rua não acalma esta tua imensidão vazia, urbana.? É talvez porque chegou mais cedo o inverno na capital. Os lares se agitam. Os avós lançam seus olhares esperanços para o passado sertão. Tão presente, quanto distante... tão seco, tão real essa nostalgia de um deserto-urbano-sertão que não cabe memórias retiscentes de um desejo assim, tão sereno. Ah, e a chuva! e a chuva! Vem trazendo Águas renovadas. Águas remotas. Águas saudades. Águas presentes. E essa sede que não passa! Quanto mais inverno, mais sede. E esses teus olhos tão úmidos de tristeza? Por que não recomeçar? botar o pé na estrada. Seguir alguma estrela mesmo que isso te leve a nada. Se o poeta já dizia: "há metafísica demais em não pensar em nada" que mal há num caminho que não te leve a nada. Provarás da mesma poética metafísica.

No comments: