(João Paulo Roque)
Tomando por base o título do livro de José Carlos Libâneo, tenho alimentado, de forma particular, uma reflexão recorrente no meio educacional: o papel do pedagogo/educador no contexto de globalização. Como fazer do ato educativo uma ação inovadora? Penso que talvez seja esse o dilema e a missão primeira do educador.
Constantemente escuta-se falar da crise da educação: os baixos salários dos professores, as precárias condições das salas de aulas, a escassez de material didático. Fatores esses que contribuem para o baixo nível da educação brasileira, principalmente nas escolas públicas.
Acompanhamos todos estarrecidos de nossas TV´s, os noticiários: "Desvio de verba da merenda escolar", "superfaturamento em obra de reforma na escola", "greve dos professores". Diante de tudo isso pouco se tem ouvido falar sobre algum movimento que vise uma verdadeira transformação da educação no Brasil. Quem são os responsáveis por elaborar os projetos político pedagógicos das escolas brasileiras? A quem compete a orientação da educação dos brasileiros e brasileiras de todo os cantos do país? Quais são os interesses envolvidos nesta questão? Em que medida um projeto de qualificação da educação pode contribuir para o crescimento e desenvolvimento de um país e quais são os fatores que impedem a consolidação de tais idéias?
Historicamente a educação brasileira é pensada como mera cópia de modelos já ultrapassados baseados na cultura européia e Norte Americana. Os modelos e pacotes importados de outras nações são ainda hoje aplicados em realidades totalmente dispares. Muito já se avançou em termos de lei e de documentos teóricos sobre os princípios metodológicos de uma educação contemporânea, porém na pratica ainda se praticam modelos de educação que prevalece como princípio metodológico a adequação do indivíduo ao meio social, para responder as demandas que uma determina classe social mais elevada produz. Sendo assim a educação ainda não conseguiu se confrontar com a velocidade crescente da globalização da economia e da cultura de massa que faz produzir e disseminar informações numa velocidade cada vez maior, produzindo hábitos e costumes que marcam e orientam sobremaneira a vida do povo.
A escola brasileira tem, pois servido de forma doentia a esse modelo de sociedade que privilegia a divisão de classe e que prepara o indivíduo para inserir-se na sociedade dentro de um lógica linear de segregação social. Sendo assim, o sistema de ensino implantado no Brasil conduz a uma formação classista, mas sem conteúdo político, ou seja, não produz consciência de classe.
Ter consciência de classe significa perceber-se diante do mundo enquanto sujeito de transformação. Isso me parece uma tarefa da educação. Para isso faz-se necessário produzir um modelo de educação que possa contribui para que o indivíduo ao adquirir determinado nível de consciência de classe, possa participar de forma livre e consciente das transformações sociais necessárias a melhoria de vida do conjunto da população. É preciso que os novos cidadãos e cidadãs do mundo renovem os costumes e criem novos hábitos culturais, novas formas de gestão, de compromisso ético, de visão de mundo, de responsabilidade com a instituições públicas e privadas.
O papel primordial da educação nesse caso deve ser o de contribuir com os saberes necessários a essa construção. O papel do pedagogo é de ser facilitador desse processo de transformação. Pois todo político corrupto passou um dia pelos ensinamentos de diversos agente educadores. É preciso ainda aprender com os erros do passado e com os erros dos outros, enterrando modelos falidos. A educação precisa colocar-se no papel de formar pensadores do mundo.. Nem educação, nem educadores neutros. É preciso que uma nova educação pressuponha a construção de um projeto de sociedade ao invés de copiar e reproduzir modelos e experiências de realidades que dialogam com os contextos sociais da realidade brasileira.