Monday, December 08, 2008

Lembranças

(João Paulo Roque)

Mas o que dizer agora? A folha em branco na minha frente me questiona. Eu bem que tentei dar uma resposta, escrevendo uma carta 'con-Vincent'. Apenas a solidão de 'Esquadros' veio a minha mente. Eu suporto. Mais uma vez 'sou eu na berlinda, perdendo a minha religão'. Mais um som vem a minha mente 'ela perdeu o controle, ela perdeu o controle'. E como se eu já não soubesse mais para onde ir olhei de novo para a folha em branco a me desafiar. Eu sei que ainda não sei o suficiente para lhe conquistar. Quero unir-me ao seu nada. A esse vazio incomunicável desafiante. A folha na minha frente mais uma vez trouxe-me uma doce lembrança, ela era uma 'branca sombra pálida'. No final da noite a folha ainda estava em branco, tão desafiante quanto no ínicio dela. Mas só por hoje eu não quero mais sofrer. Fiquei feliz conhecer melhor Anna Begins, ela é quilométrica mas muito legail. Espero que numa noites dessas eu consiga fazer uma canção para mim, como Mr. Jones.

Tuesday, November 11, 2008

Poema Canção

(João Paulo Roque)

Só falta um pouco mais, e, logo, logo
estaremos caminhando em direção ao sol.
Eu vejo chega ao fim setembro
Eu com ele uma solidão de outono.
Por entre dedos e janelas.
É quando o sol cada dia mais cedo desce
a montanha para se esconder.

Eu sinto meus olhos já cansados da noite,
Esperar por uma sorte que não vai chegar.
Amanheceu o dia e sei que vai ser assim...
A doce ilusão de que tudo paira e se revela
Nesse pequeno universo particular.

Esta é só uma canção que eu fiz para você
lembra, que a felicidade é um instante passageiro,
Mas de rara beleza, como a passagem de um cometa.
E que a saudade que fica, seja a coisa mais bonita.

Monday, November 03, 2008

SUSSURO

(João Paulo Roque)

Por trás da montanha
Mora um pássaro negro
Que voa por sobre os muros
E grita aos céus,
Os sons azuis da dor.

E um anjo caído
Perto de mim
Estende sua mão
Sobre meu ombro
E sussurra baixinho:

- São estes os vossos
Olhos Misteriosos?.

Friday, October 17, 2008

"PEDAGOGOS E PEDAGOGIA PRA QUÊ"?

(João Paulo Roque)


Tomando por base o título do livro de José Carlos Libâneo, tenho alimentado, de forma particular, uma reflexão recorrente no meio educacional: o papel do pedagogo/educador no contexto de globalização. Como fazer do ato educativo uma ação inovadora? Penso que talvez seja esse o dilema e a missão primeira do educador.

Constantemente escuta-se falar da crise da educação: os baixos salários dos professores, as precárias condições das salas de aulas, a escassez de material didático. Fatores esses que contribuem para o baixo nível da educação brasileira, principalmente nas escolas públicas.


Acompanhamos todos estarrecidos de nossas TV´s, os noticiários: "Desvio de verba da merenda escolar", "superfaturamento em obra de reforma na escola", "greve dos professores". Diante de tudo isso pouco se tem ouvido falar sobre algum movimento que vise uma verdadeira transformação da educação no Brasil. Quem são os responsáveis por elaborar os projetos político pedagógicos das escolas brasileiras? A quem compete a orientação da educação dos brasileiros e brasileiras de todo os cantos do país? Quais são os interesses envolvidos nesta questão? Em que medida um projeto de qualificação da educação pode contribuir para o crescimento e desenvolvimento de um país e quais são os fatores que impedem a consolidação de tais idéias?

Historicamente a educação brasileira é pensada como mera cópia de modelos já ultrapassados baseados na cultura européia e Norte Americana. Os modelos e pacotes importados de outras nações são ainda hoje aplicados em realidades totalmente dispares. Muito já se avançou em termos de lei e de documentos teóricos sobre os princípios metodológicos de uma educação contemporânea, porém na pratica ainda se praticam modelos de educação que prevalece como princípio metodológico a adequação do indivíduo ao meio social, para responder as demandas que uma determina classe social mais elevada produz. Sendo assim a educação ainda não conseguiu se confrontar com a velocidade crescente da globalização da economia e da cultura de massa que faz produzir e disseminar informações numa velocidade cada vez maior, produzindo hábitos e costumes que marcam e orientam sobremaneira a vida do povo.

A escola brasileira tem, pois servido de forma doentia a esse modelo de sociedade que privilegia a divisão de classe e que prepara o indivíduo para inserir-se na sociedade dentro de um lógica linear de segregação social. Sendo assim, o sistema de ensino implantado no Brasil conduz a uma formação classista, mas sem conteúdo político, ou seja, não produz consciência de classe.

Ter consciência de classe significa perceber-se diante do mundo enquanto sujeito de transformação. Isso me parece uma tarefa da educação. Para isso faz-se necessário produzir um modelo de educação que possa contribui para que o indivíduo ao adquirir determinado nível de consciência de classe, possa participar de forma livre e consciente das transformações sociais necessárias a melhoria de vida do conjunto da população. É preciso que os novos cidadãos e cidadãs do mundo renovem os costumes e criem novos hábitos culturais, novas formas de gestão, de compromisso ético, de visão de mundo, de responsabilidade com a instituições públicas e privadas.

O papel primordial da educação nesse caso deve ser o de contribuir com os saberes necessários a essa construção. O papel do pedagogo é de ser facilitador desse processo de transformação. Pois todo político corrupto passou um dia pelos ensinamentos de diversos agente educadores. É preciso ainda aprender com os erros do passado e com os erros dos outros, enterrando modelos falidos. A educação precisa colocar-se no papel de formar pensadores do mundo.. Nem educação, nem educadores neutros. É preciso que uma nova educação pressuponha a construção de um projeto de sociedade ao invés de copiar e reproduzir modelos e experiências de realidades que dialogam com os contextos sociais da realidade brasileira.

Thursday, October 09, 2008

Vontade...

Elouquecer os holofotes da lucidez. Embreagá-la, é preciso. Caminhar tateando no escuro. Deslizar pela janela do tempo em busca do nada. É como tudo novo que aprendemos. Estranho. Tão forte. Tão tenso. Intenso. Onde o lugar desse aroma que me invade e sai? Sua forma suave e malsã. Doce ilusão perdida? talvez. Não buscasse de falto a lucidez... Mas a lucidez dos loucos, malditos. Dilacerados. Incompreendidos. Encontraria, certamente, esta luz opaca do cotidiano inquebrável. Dessas relações que se consomem como areia ao vento. Que se movem sem destino. Que afundam e se amontoam. Espera um pouco. Não é assim! Quanto tempo vivemos à espera? Do que virá. Também do que não sabe esperar. Buscar de volta o tempo perdido? talvez. E mesmo assim, mais uma vez esperar. O que não se quer. Nem se sabe.

Thursday, August 28, 2008

"Todos têm suas próprias razões"

"Vai, vem embora, volta
Todos têm, todos têm
Suas próprias razões..."

(trecho extraído da música: "Eu era um lobisomem juvenil" - Legião Urbana - As Quatro Estações)

Thursday, July 17, 2008

Demorou !!!

Eita, que demora danada pra escrever umas "linhazinhas" meu deus! E eu que pensava em escrever um livro antes dos meus cinquenta anos. Acho que vou precisar de mais uns cento e cinquenta, pelo menos.

Sunday, March 09, 2008

hoje é domingo, tudo a ver!

(João Paulo Roque)

Tudo que se espera de um domingo, provavelmente, um lindo dia de sol, poder sair com amigos/as, parentes, namorados/as. Afinal, para muitas pessoas, domingo é o dia do "descanso semanal". Domingo para ouvir música, conversar na calçada, bater uma pelada. E há quem goste de um cervejinha gelada para relaxar.

Mas se chove no domingo isso não diminui o brilho desse dia. Aquele "friozim" de manhãzinha. O campo fica molhado, o sol escondido e o "racha" não fica tão cansativo. Depois a gente liga a vitrola e põe um vinil e deixa rum rolar um som "das antiga". Aí o dia fica maneiro. A gente deita na rede e espera chegar a hora do almoço. E enquanto isso o som da vitrola embala os sonhos, as memórias, os desejos e alimenta a alma.

Ai chega a tarde, ainda com seu esplendor nublado a gente corre pra janela e olha o tempo, que se anuncia por uma brisa gelada e forte, a chuva que vem. E a gente corre pro campo com a bola na mão pelas ruas, porque que em pouco tempo a turma vai chegar pra jogar na chuva. E então depois de tudo isso, já em casa, vem a noitinha e a turma vem pra calçada porque tem conversa pro resto do dia. E assim é um dia de domingo. Olhares que se cruzam, vozes que se riem. Espaços infinitos que se ligam ao nosso ser por tudo aquilo que somos e desejamos num dia de domingo.

Thursday, February 21, 2008

Soneto à José Roque

(João Paulo Roque)

Um grito ecoa silencioso no coração,
É um aboio longo e ávido de sertão.
No peito uma saudade tenra de cansaço
No chão descança vaqueiro um pedaço.

Ah, cantiga de aboio mostra tua beleza,
Falaste de amor com tamanha dureza.
Mas trouxeste no olhar doce nostagia
Que levaste consigo na noite vazia.

Me quiseste mostrar as coisas do mundo
E no final eu não entendia, no fundo
O que este negro olhar poderia querer

Escrevo agora o que eu não soube dizer
Na hora estranha da morte que tu já sabias
Eu entrego a sorte, a morte dos dias.

*(Soneto em homenagem a José Roque Filho [1935-2008])

Thursday, January 24, 2008

A chuva de Janeiro

(Ayallosilva)

Os dias de Janeiro são sempre regados à chuvas, como se diz, chuvas de verão!? É que parece que no nordeste as estações são diferentes. São chuvas que trazem esperas e incertezas das chuvas de inverno no sertão. É tanto que por mais que chova em janeiro só se acredita em inverno depois do dia 19 de março. Dia de São José. É porque por aqui também, no nordeste, a religiosidade popular ainda tem espaço no imaginário do povo. De algum modo Janeiro deixa mais doce os primeiros dias do ano. Dá pra matar saudade daquelas "danações malinas" de quando meninos tomávamos banho de chuva, o jogo de futebol no campo molhado, as brincadeiras no meio da rua. Em janeiro, a chuva, vem pequena e furiosa. Atravessa a rua e bate na porta. Pede licença e des-água enchendo nossa vida-maré de sonhos e desejos.