Friday, December 22, 2006

um olhar vagamente...

Vago, vagam
corpo, estrelas
Perdo-me, perdem-se
caminho, labirintos
Amo-te, perdo-te
Luz, sombras
Amparo-me, disponho-me
Doce, Mente!

Monday, November 20, 2006

Um olhar na escuridão

Mas de repente, seus olhos sombreados marcaram um ponto fixo em meu coração. Nem toda a escuridão do meu quarto se comparava à sombra do seu olhar. Reflexos de luz na janela. Ela caminha lentamente arastando sua boneca velha, porém, muito querida. Existia algo naquele momento que me mantinha estático. O vento sopra e eu me pergunto o que pode acontecer. Agora ela aparece com seu vestido branco, eu a vejo no espelho, penso que está atrás de mim. Eu a olho com medo e admiração. Ela aponta para trás de mim, meio que querendo me mostrar algo. Eu viro rosto para verificar o que havia lá, não havia nada. Mas ela continuava no espelho. Parecia estar presa. Mas não demostrava pedir ajuda. Seu rosto não expressava senhum sentimento decifrável por um olhar comum. Medo, solidão, felicidade, não. Não era nada disso. Era um olhar de escuridão. Eu fecho a janela e tento dormir, ela embala sua boneca no colo, não me olha mais fixamente e, de repente, a image do espelho se apaga.

Sunday, October 22, 2006

A imitação do Espelho

"Parece-me que algo neste espelho aspira à solidão". Você pode sentir os meus cabelos agora?. Eles hoje estão tão macios e crespos como nunca. Vou pegar um sorvete, sim? Exatamente! Aquele que costumávamos tomar escondidas, você ainda lembra? Eu já volto, espera aí! Não, não posso abrir a geladeira assim, descalça. É melhor pegar a chinela, minha vó sempre dizia isso pra mim. Mas tudo bem, não se preocupe eu cuido de você. Nunca deixarei ninguém saber que voce resolveu se esconder aí só pra ficar mais perto de mim. Você bem sabe que aqui nesta casa eles me tratam assim. Aliás, a você também né? Pelo menos quando estavas aqui para que todos a vissem. Agora estás aí só pra mim. É bem verdade que sinto um brilho mais forte no teu olhar, as doces lembranças da nossa infância. Você me contava suas brincadeiras e eu ficava horas ouvindo e rindo, era tudo uma grande brincadeira essa nossa vida de criança. Só você mesmo conseguia ser criança comigo. Lembra que aquele menino era um tremendo mala. De muito me valeu os seus toque aqui de frente ao espelho. O espertinho pensou que me fazia de besta. Mas teve momentos que foi pura magia. Aí eu senti que fui feliz e deixei, mas não foi com ele foi com você, sabe né?. Ainda bem que você me entende viu, se não, não estaria contando estas coisas. Que não são lá grandes coisas, na verdade, que nunca brincou fez isso, não é mesmo?. Eu adorava. Tinha a Nátália e a Clarice que eram ótimas, lembra. O Rodriguinho era o filho predileto. Também com aqueles olhinhos. Eu fui sua mãe uma vez, naquele de dia de chuva na cabana. Ele deitou a cabeça no peito, e de repete senti um frio na espinha, pedi pra afastar um pouquinho. Ele olhou pra mim com um sorriso maroto e disse; "estou com fome", e riu. A nossa brincadeira era assim, de puro prazer. Depois ficamos embaixo dos lençóis, o calor quente de suas narinas espalhavam os fios suados de meus cabos, o gosto úmido de sua língua passeava por entre meu pescoço e minha orelha. Seu corpo era macio como um travesseiro gostoso. Por isso nós sempre brincávamos de dormir juntos. A gente brincava escondido. Todos sabiam que nós brincávamos juntos, o que era escondido era exatamente o que acontecia dentro da cabana. Segredo de infancia. Voce já revelou algum segredo da sua infância? Pois é, nem eu! Esses segredos do prazer sempre ficam guardados porque eles nascem junto com os melhores sentimentos e fazem com que as pessoas sejam especiais pra gente. Voce me ensinou tão bem isso. Nunca mais tive vergonha de brincar de nada com ninguém. Outro dia, lembra que eu te contei, Natalia tornou-se melhor amiga, até hoje. Pena que não vem mais aqui. Se não daria um abraço daqueles nela, igualzinho na cabana. Ela tem um abraço aveludado, seu corpo é quente. Ela sabia também que quando a gente entrava na cabana, a gente queria ser mais, sentir mais, descobrir um toque, um cheiro, um gosto. Esses sentidos da infância tão cheios de significados. Agora são sombras esparsas na parede da memória, na imagem submersa desse espelho do tempo. Adeus, um dia eu volta te encontrar, enfim, foi bom te ver por aqui, volte sempre que quiser.

Saturday, October 21, 2006

ainda está meio escuro...

(ayalo)
talvez ela esteja chegando
de vagar, ao ponto certo
ao ponto de encontro
onde eu nao mais me encontro
onde eu nem sei qual´é
a direçao que devo tomar

talvez ela esteja chegando
só um poquinho mais leve
ou um tanto mais profunda
talvez ela me carregue
talvez eu me confunda
e atordoado me entregue

talvez ela esteja indo...

Thursday, September 28, 2006

Mudanças

Resolvi mudar
claro que nao vai ser assim de uma vez
bruscamente
vou mudar o formato deste blog
vou mudar as poesias que eu escrevo
vou mudar... nem que seja só por hoje
vou mudar alguma coisa

Tuesday, September 05, 2006

FIGURAS E SONHOS

(Ayallo)

Você ver figuras estranhas
Transitando no espaço dos seus sonhos,
E tem pesadelos ao amanhecer?
Fala sobre o que não vê
E sente um arrepio quando me olha?
Eu queria acordar e sentir de volta o meu ser
Eu vejo coisas e não sei dizer o quê
Caminho em direções opostas
Segurando-me em cordas à beira do precipício
Alimentando a boca dos insanos.

Então agora consegues falar de tuas perdas
com a infinita sinceridade que lhe resta hoje?
Compreende agora o sentido de tuas angustias?
Passeio pela normativa loucura, de ser... de ser...
inconstante...
...pensante...
...errante...
...presente-ausente-presente...!!!
reluz, o fio da espada flamejante
dos “céus azuis da dor” de Baret
Que, pouco a pouco, me consome.

CAMINHO

(Ayallo)

Palavras
e o que mais nos resta?
Caminhamos lado a lado sobre o fio tênue
da navalha do destino,
Caindo em nossos próprios abismos
Envolta dos mesmos precipícios...

Olhe a sua volta,
Não existe caminho sem saída
Existem sim caminhos interrompidos
Faz-se necessário romper com os obstáculos
Porém, nem toda ruptura pede destruição.

De vez em quando me julgo errado
É exatamente aí onde eu nunca acerto
Vou tentando ser correto e sigo sempre errando
Fugindo das sombras em caminhos incertos

O horizonte nos chama a caminhar em águas mansas.
O horizonte é curto e chama ao caminho trilhar
Nessa eterna dança do vento entre o céu e o mar.

Saturday, July 15, 2006

VIOLETAS

Quão longe a estrada da canção
A poesia, disritmia do tempo,
Soluçar tropeçante em fúria de gozo,
Espelhos d´água, atenuastes!
Outro campo de flores silvestres
Enfeitará esse jardim
Violetas murcharão ao tempo da paixão
E rosas fecharão em sinal de aviso
Quanto mais estou contigo
Mais sinto-me em perigo
Não consigo mais olhar a diante
Sem perder a nitidez
Jaz o corpo desnudo, trançado!
“Insetuando” o gozo viril
de sua perenidade
Sim! Eu sou alegoria do tempo,
desencontros....
Minhas forças se foram
Perde força a metáfora
E ganha cor o perfume das violetas
Mortas em nosso jardim...

(ayalo)

Friday, June 30, 2006

Flor d´alma

E mais que um olhar adiante
em direção ao sol,
Ou mesmo andar cativante
e sentir-se só,
Ainda que a lua pintasse
na escuridão do teu olhar,
um brilho de luz irradiante
Que caminhasse na estrada
a vagar sem destino,
Diante de um futuro
Que ora escorrega pelos dedos
e me faz acordar vacilante
A flora não alivia o peso d´alma
Que gotejante suplica
O amor que passa... que passa...Que passa...

Monday, June 26, 2006

O tempo que passa...


Sinto que os dias têm passado como uma flecha por entre meu peito,
E quando a vida parece sem sentido
É quando ela mais cobra o seu inestimável preço.
Será mesmo preciso entender e aceitar as coisas como elas são?
Não estaremos assim querendo viver de ilusões?
Ilusões que um dia passam, mas, ficam marcadas nos corações!
Um grito Flamejante ecoa...grita...ante, corta...ante, é ár...ido, sereno...
Ah!!! se eu soubesse, escreveria agora uma canção pra você!
Mas tudo bem, nós apenas começamos...
Apenas começamos!

Saturday, June 24, 2006

CORPO

O corpo - espelhos d´água -
Estrelas rodopiando à luz do teu olhar
Contos da noite vaga
As luzes tecem o céu
em sonho invisível, indisível - infinito
entre cortado
entre paredes
feito sonhos
desfeitos!!!

cante, cante, cante e dance, dance, dance

Um pássaro raro voou ontém
Rasgando o véu da noite escura
Um bailado no seu voar
Trouxe de volta a lembrança
de um tempo do não-ser
Imagens enigmáticas
Que transcendem minh´alma
Que perfuram meus desejos
Traspassam o sublime instante
do conforto imediato

Ah, se contigo eu pudesse alçar vôo,
E alcançar o inimaginável infinito
Desse tempo-de-ser e não-ser-contigo.
Outrora eu respiraria fundo,
E extasiado na minha calçada
E contente riria de tudo isso.
Mas como uma bolha de sabão soprada ao ar
Meu pensamento viaja na vaga imensidão
Deste meu-ser pelejante e insensato.