Thursday, February 21, 2008

Soneto à José Roque

(João Paulo Roque)

Um grito ecoa silencioso no coração,
É um aboio longo e ávido de sertão.
No peito uma saudade tenra de cansaço
No chão descança vaqueiro um pedaço.

Ah, cantiga de aboio mostra tua beleza,
Falaste de amor com tamanha dureza.
Mas trouxeste no olhar doce nostagia
Que levaste consigo na noite vazia.

Me quiseste mostrar as coisas do mundo
E no final eu não entendia, no fundo
O que este negro olhar poderia querer

Escrevo agora o que eu não soube dizer
Na hora estranha da morte que tu já sabias
Eu entrego a sorte, a morte dos dias.

*(Soneto em homenagem a José Roque Filho [1935-2008])