Tuesday, August 24, 2010

Noite, Oriente Novo!

(João Paulo Roque)

A praça estava só! Aliás, estávamos a sós, ali na praça, a noite escura e mais eu. A noite de Novo Oriente era fria e dava para ver que havia pouco parou de chover. A pousada estava lotada. Bati aqui e acolá atrás de um lugar para ficar. Fiquei na Praça. Caminhei em direção ao banco ainda úmido da chuva que passara por ali. Fiquei pensando no que fazer. Levantei e andei novamente pra lá, pra cá. E voltei ao banco meio molhado em que eu estava. Quando dei por mim estava envolto numa tenra solidão durante aquelas poucas horas que antecediam o nascer do sol. Aquelas duas últimas horas no escuro da noite me deram a angustiante sensação de cem anos de solidão. Talvez por isso mesmo eu saquei o livro de Garcia Marques, que há tempos estava ali, esquecido pelo meu apego aos afazeres cotidianos e imediatos da vida. O silêncio daquela noite trouxe consigo suas melodias, seus versos e cantares. Sons de pássaros, grilos, gritos de esperanças, e tantos outros gritos e cantares ecoavam no silêncio negro da praça. Foi ai que de repente ficou em mim um oriente novo, um novo oriente sem fim.

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